TRANSCOMUNICAÇÃO INSTRUMENTAL

Tradução de Else Kohlbach - Editora Civilização Brasileira


LIVRO "TELEFONE PARA O ALÉM", DE FRIEDRICH JÜRGENSON, PARTE 8


Nova experiência de contato científico com o Além, dentro dos recursos atuais da era tecnológica.

CAPÍTULO 15


MISTERIOSAS OSCILAÇÕES NO VOLUME DO SOM. UMA CONFERÊNCIA INGLESA EM ALEMÃO. UMA OCORRÊNCIA, EM SI, IMPOSSÍVEL.

CHEGARA A PRIMAVERA. O velha cidade de Estocolmo degelou-se lentamente, e a neve pingava alegremente nos telhados, enquanto os pombos arrulhavam com amor nos peitoris das janelas.


No dia 10 de março ocorreu um estranho fenômeno, que logo me fez recordar um fato observado no outono de 1957, durante os meus ensaios de canto para gravação radiofônica, quando o volume de som da gravação da fita magnética começou a oscilar sem qualquer causa perceptível.

Essa curiosa ocorrência, naquele tempo inexplicável, mas que na realidade representava um exercício preliminar com um objetivo determinado, deveria agora corresponder ao seu verdadeiro propósito.


Eu esperava visitas naquela noite. Tratava-se de cientistas, e eu sentia -- como sempre senti em semelhantes circunstâncias -- uma desagradável sensação de insegurança. Isto porque nunca poderia saber ao certo se meus amigos invisíveis estavam dispostos a colaborar.


Em tais situações, costumava fazer breves pedidos, chamadas e perguntas no microfone, na esperança de que, durante a escuta na velocidade de 3 ¾, se pudesse ouvir uma resposta de Lena.

Assim, no dia 10 de março, sentei-me no estúdio, ajustei os fones auriculares e pus-me a falar à meia voz no microfone. Súbito percebi que o volume de som começou a baixar sensivelmente. Lembrei-me então da ocorrência do outono de 1957, mas desta vez abri o volume de som ao máximo, para estabelecer o equilíbrio.


Acontece que minha mulher, que se encontrava no quarto de dormir, escutava um disco com uma conferência em inglês, cujas palavras começaram a ressoar nos meus fones auriculares.


Julgando que o aparelho estivesse novamente enguiçado, comentei em voz alta a minha preocupação. Mas como tinha aberto ao máximo o volume de som, pude fazer uma gravação razoável, embora gravando também a conferência que estava sendo ouvida no quarto contíguo.

Essa gravação, que reproduzia minhas atribuladas perguntas, de permeio com as palavras do conferencista inglês, haveria de revelar-me uma das mais fantásticas surpresas. Alguns minutos depois, ao escutar a gravação, verifiquei, admirado, que o conferencista inglês falava em alemão!


Inicialmente, desconfiei da minha audição, escutei e tornei a escutar atentamente, até que não mais pudesse restar a menor dúvida: o homem falava alemão, nítida e inconfundivelmente, e até havia mudado o timbre de voz. Entretanto, só podia distinguir uma parte das palavras em alemão, pois o resto foi prejudicado pela minha própria voz.

O resultado dessa metamorfose lingüística expressava o seguinte: Du musst aufnehmen, Friedrich... (Tu deves gravar, Frederico) ... Bereits Mölnbo (Já Mölnbo -- nome da localidade onde se encontra nossa casa campestre junto ao lago) ... unsere Erzielung und Erwartung -- vernimmst du das?... Bis deutlich was kommt -- Friedrich... unsere Erzielung... vernimmst du das?... Friedrich erkennst du Mölnbo... unsere Erzielung... vernimmst du das?... (Nossa aspiração e expectativa -- tu percebes isso?... Até que vem algo claro -- Frederico... nossa aspiração... tu percebes isso?... Frederico, tu reconheces Mölnbo... nossa aspiração... percebes isso?)

Resumindo: meus amigos pareciam querer uma "comunicação no campo" até "que vem algo claro..." Assim que eu compreendi totalmente o significado da frase e o disco no quarto parou, o aparelho começou a funcionar normalmente.


A alegria que me causou essa comunicação me fez esquecer a metamorfose da fala, pois não tinha a mínima idéia do que havia ocorrido. Um ano depois, viria a saber que essa transformação de linguagem era de suma importãncia, mas voltarei a falar sobre o assunto mais adiante.

CAPÍTULO 16

FINALMENTE É SOLUCIONADO O ENIGMA DO RÁDIO. OUTRA VEZ “CHURCHILL”. – TRÊS IDIOMAS NUMA FRASE.

NÃO SEI BEM como tive a idéia de ligar o gravador de som diretamente ao radiorreceptor. No entanto, foi isso que eu fiz certa noite, e notei imediatamente que, por meio dos fones auriculares, podia escutar claramente as irradiações das emissoras.


A princípio, mergulhei num verdadeiro caos de sons e ruídos. No meio dessa miscelânea, ouvi música, peças teatrais, cantos, conferências, sinais Morse e os estrondos da perturbadora radiofonia russa.

De vez em quando, parecia ouvir o sussurro de Lena, embora não encontrasse explicação para o aparecimento da voz dela entre os programas radiofônicos. Era-me difícil distinguir suas palavras rápidas e sussurrantes. Finalmente, liguei o gravador e deixei rodar a fita durante alguns minutos, em contato com o rádio.


A seguir, ao escutar a gravação, espantou-me ouvir a voz de Lena destacar-se nitidamente em meio à confusão de ruídos. Halten, halten! (Manter, manter), sussurrou sua voz rápida e agitada, direkter Kontakt mit Churchill... (contato direto com Churchill...)

Mencionou outra vez o nome de Churchill, nome que já havia gravado anteriormente em várias ocasiões, sem poder compreender o seu significado. Dei início a nova gravação, ligada diretamente ao rádio e não através do microfone, mas por meio das válvulas, começando simultaneamente a percorrer a escala de ondas.


No momento exato de sintonizar a onda média, uma maviosa voz de mulher pôs-se a cantar bem alto. Julgando haver sintonizado uma irradiação comum, fiz outra tentativa, movendo o botão da escala de um lado para outro, o que, naturalmente, me levou a captar palavras e fragmentos desconexos: Friedél, Friedél!, cantava a voz com nítida acentuação na última sílaba.


Seguiu-se então uma mistura de alemão e sueco; a voz cantava ao mesmo tempo em dois idiomas: Sprich... in der letzten Zeit -- Schwedisch ofta störte... cantava ela alegremente. Foi nesse ponto que eu interrompi a sintonização e, na minha ansiedade, passei para ontra onda.


Também nessa faixa ressoou a mesma voz feminina que, ultrapassando todas as outras vozes e ruidos, disse: Bitte störe nicht, Frederico!... (Por favor, não atrapalhe, Frederico!...)

Embora ela pronunciasse a frase em alemão, podia-se reconhecer o sotaque eslavo. Deveria ser russa ou polonesa. Compreendi então que mexendo constantemente nos botões causava perturbações. Até esse momento, nenhuma voz havia falado tão claramente comigo, e como estivesse gravada na fita, poderia reexaminá-la depois com toda a calma.


Pela primeira vez naquele dia, tomei consciência da importância do rádio como "ponte de comunicação", e embora esse conhecimento fosse novo para mim e ainda não soubesse como ocorria o fato tecnicamente, tinha a certeza de haver encontrado o caminho certo.


Diante da novidade, tudo me parecia bastante confuso, pois, de repente, defrontava-me com um fluxo de sons e ruídos, e não sabia o que fazer.

Indeciso, hesitei durante alguns dias, mas finalmente, certa noite, acoplei o gravador de som ao rádio e liguei a fita magnética para gravação. Pouco depois ressoou aquela melodiosa voz feminina, que começou a falar em surdina e com extraordinária inflexão.


O tom de sua voz me chamou imediatamente a atenção, antes mesmo de compreender as suas palavras. Falava em três idiomas -- alemão, italiano e sueco -- e custou-me um pouco entender o que dizia.

Bambina, arriva! arriva!, exclamou emocionada em italiano, deixando transparecer na voz um grande alívio (A criança, está chegando, está chegando!) Durchs Radio... ihr habt erraten... viel mehr wird hereinkommen... (Pelo rádio... vocês adivinharam... muito mais entrará...)


Essa estranha mescla de idiomas, que aqui apresento em tradução abreviada, soava totalmente natural e espontânea. Quanto mais atentamente escutava aquela voz, mais me agradava.


Não era apenas a ingenuidade infantil dessa divertida mistura de idiomas, nem o encanto de uma bela e alegremente exaltada voz de mulher que me atraíam.


O que me parecia importante era a emocionante vibração daquela voz, que repentinanente me fez sentir que a ponte de comunicação recém descoberta encerrava imprevistas possibilidades.

Assim, depois de muitos equívocos e embaraços, cheguei a um campo fronteiriço onde -- como um arco-íris cintilante -- alçava-se uma ponte para um mundo desconhecido, situado num plano de existência que até então estava cerrado para a maioria de nós.

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FONTE DO TEXTO

http://www.transcomunicacao.com



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