TRANSCOMUNICAÇÃO INSTRUMENTAL

Tradução de Else Kohlbach - Editora Civilização Brasileira


LIVRO "TELEFONE PARA O ALÉM", DE FRIEDRICH JÜRGENSON, PARTE 9


Nova experiência de contato científico com o Além, dentro dos recursos atuais da era tecnológica.

CAPÍTULO 17


A NOVA TÉCNICA REQUER EXERCÍCIO. A MINHA CONSTANTE “ASSISTENTE DE RÁDIO”. EM QUALQUER TEMPO, EM TODAS AS ONDAS. FATOS E PROVAS IRREFUTÁVEIS, APESAR DA APARÊNCIA FANTÁSTICA.

A PACIÊNCIA e a objetividade de meus amigos anônimos eram admiráveis. Duram mais de um ano as tentativas de aproximação, até que afinal compreendi a técnica e pude fazer a comunicação direta através do rádio.


Com isso, eliminaram-se todos os outros fenômenos sonoros simultâneos. Daí por diante, tudo se tomou mais tranqüilo ao meu redor. O pingar da torneira e as gotas de chuva readquiriram suas tonalidades normais, e o sussurro insistente de Lena dissolveu-se com os demais ruídos.

Acreditava ter vencido as maiores dificuldades, mas isto era apenas uma ilusão, pois estava simplesmente no início da ingreme escalada para o cume. Compreendi também claramente que sem o equilíbrio psicológico, jamais poderia desincumbir-me da minha tarefa.


Isto significava que era necessária uma extrema autovigilância e que o meu modo de viver deveria ser o mais simples e natural. Mas, antes de tudo, tinha de cultivar a introspecção para alcançar aquela paz interior, que é o caminho direto que leva à percepção.

No tocante às dificuldades, elas ainda existiam em grande proporção. Assim, por exemplo, teria de aprender a técnica especial da nova comunicação pelo rádio que, a princípio, apresentava muitos problemas. A maior dificuldade para um entendimento através do rádio consistia em que, sem uma bem afinada audição, não era possível perceber coisa alguma.


Logo ficou provado também que a acuidade de espírito não era suficiente, sendo imprescindível um constante e rigoroso treinamento, paralelamente a uma permanente vigilância, sem o que seria impossível conciliar a percepção intuitiva e a concentração dirigida.

Por exemplo, recebia instruções pronunciadas velozmente, ou então minha "assistente de rádio", Lena, falava em freqüências muito altas, que mal poderiam ser diferenciadas de sons sibilantes. Tudo dependia dessas mínimas diferenças.


Embora hoje, depois de vários anos de rigoroso treinamento, já domine relativamente certas "manhas", tenho ainda muito que aprender, pois o processo se acha em ininterrupto desdobramento e sujeito a constantes modificações.


Em primeiro lugar, resolvi familiarizar-me melhor com as freqüências das diversas emissoras radiofônicas, assim como com o alcance de ondas de radioamadores e de emissoras perturbadoras, principalmente as do Oriente. Entretanto, não deveria preocupar-me com a radiotelegrafia, pelo fato de não ser este setor de ondas utilizado pelos meus amigos.

Tudo isso era relativamente fácil de aprender, mas, por outro lado, encontrei enormes dificuldades quando me propus pesquisar mais detalhadamente a técnica de transmissão. Era um trabalho árduo e complicado, que exigia total dedicação e, acima de tudo, uma transformação fundamental das minhas observações habituais.


Os meus amigos, praticamente, podem utilizar-se de qualquer onda e, sem dúvida, a qualquer hora. Apesar disso, evitavam as ondas curtas e determinadas horas como, por exemplo, quando era irradiado o noticiário do dia.


Nos momentos de forte luz solar ou por ocasião da aurora boreal, as irradiações geralmente cessavam. Durante as trovoadas ou melhor, antes de uma trovoada, interrompiam-se todas as transmissões.

Depois das 2 horas, raramente havia comunicações, nem mesmo na época em que estava escrevendo este livro. Entretanto, sempre que eu ligava o rádio após o trabalho diário -- o que acontecia habitualmente -- uma voz cantante me desejava cordialmente "boa-noite".


Mas, nestes casos, nada mais era possível conseguir. A "radiodifusora dos mortos" silenciava e nem o cochicho de Lena interferia nas outras ondas. Muitas vezes estive prestes a perder a paciência, pois o trabalho me parecia insuperável e desesperador.


Como sempre, perdurava o meu amor à arte, e eu perguntava a mim mesmo, com o coração oprimido, se teria sido justo abandonar a pintura, atividade criadora a que antes dedicara toda a minha vida.

A circunstância de ter abandonado a pintura numa época em que começava a colher a alegria do triunfo pouco me afetava. O que me doía era a lembrança de Pompéia, onde deveria ter realizado um trabalho extraordinário.


Ao invés disso, estava aqui sentado em Estocolmo, às voltas com um quebra-cabeças e esforçando-me desesperadamente para agrupar num quadro nítido todos esses inúmeros fragmentos. Não obstante, jamais um assunto me impressionara e prendera tão profundamente como esses contatos místicos, que literalmente pairavam no ar.

Sob a luz tranqüila da razão pura e simples, o Todo se afigurava uma lenda fantástica impregnada de excentricidade. Mas as lendas e castelos no ar nada significam diante da dura realidade. A razão e o bom senso exigem -- e acertadamente -- fatos, coisas palpáveis, mensuráveis, que possam ser captados por nossos sentidos e devidamente analisados.


Uma pedra, uma gota d'água, um átomo invisível e também uma fórmula matemática abstrata são assimiláveis pelo espírito hunlano, por mais complexos que sejam. A razão é nossa norma e também o limite que não deve ser ultrapassado.


É claro que os meus contatos pelo rádio e pela fita magnética com os habitantes de um mundo invisível poderiam parecer ilusórios e lendários, se não existissem as respectivas gravações.

Para minha imensa alegria e alívio, estão diante de mim fitas magnéticas palpáveis e reais -- uma dádiva do éter. Seu conteúdo em palavras e sons pode ser ouvido e compreendido por todo aquele que não seja surdo ou débil mental.


Apesar de todas as enormes dificuldades e obstáculos, sentia uma serena gratidão e tudo isto me parecia uma graça divina, pois nessas fitas encerrava-se o milagre -- a prova incontestável da realidade de um mundo e de um plano de existência extraterrenos.


O Todo manifestava-se de modo novo e original, indo muito além, em sua importância, de todos os meus desejos pessoais e expectativas.

As ocorrências repetiam-se diariamente e, aos poucos, iam esboçando contornos mais nítidos, que revelavam a força explosiva da pura verdade baseada em fatos. Era a verdade, a realidade que, provavelmente, se destinavam a rasgar em mil farrapos o véu do mundo invisível e transpor harmoniosamente o abismo entre o aqui e o Além.


Logo, não se tratava, absolutamente, de meras sensações. O que importava, única e exclusivamente, era o fato de que me fora confiada a grande e difícil missão de incentivar a construção da ponte entre o aqui e o Além.


Se eu demonstrasse estar à altura dessa missão, então seria solucionado o enigma da vida e da morte humanas por meio fisiotécnico. Eis as razões por que não poderia haver nenhum recuo para mim, apesar de todos os quadros que não pintei e das escavções perdidas em Pompéia, apesar de todas as dificuldades e possíveis golpes.

CAPÍTULO 18

OUTRA VEZ EM NYSUND. AMARGAS RECORDAÇÕES. PARA MIM, SÓ EXISTE AINDA UMA MISSÃO, UMA FINALIDADE.

TRÊS DIAS ANTES da Páscoa, toda a nossa família -- inclusive o cão e o gato -- dirigiu-se novamente para Nysund, nossa propriedade campestre em Mölnbo. Levava comigo o gravador de som e um novo radiorreceptor, e imediatamente os instalei no meu velho quarto do sótão.

O tempo estava extraordinariamente belo. Soprava um brando vento sul e no suave azul do céu primaveril desfilavam os claros cirros. Pairava no ar a fragrância da resina do abeto, do musgo e da terra degelada, e como a neve porosa ainda não estivesse completamente derretida, os pássaros cantavam com agreste e insofreável alegria.


E gorjeavam com mais vivacidade nas abas da colina. Era um concerto maravilhoso e multíssono, com arrulhos, silvos, trinados e pios aflautados, que começava por volta das três horas da madrugada, com o canto dos tordos, e chegava ao auge ao nascer do sol.

Nosso amigo Hugo F., que cuidava das estufas de nossa propriedade, já havia chegado e, como de costume, dedicava-se à jardinagem, cheio de entusiasmo e contagiante alegria.


Numa faixa de terra meio selvática como Nysund, onde as laboriosas forças humanas não eram suficientes, a indomável energia da natureza ameaçava transformar a propriedade inteira num luxuriante matagal.

Mas Hugo era incansável e recomeçava constantemente a luta. Ninguém conseguia deter seu ímpeto de trabalho, nem mesmo a circunstância de ter a visão bastante reduzida.


Estava sempre disposto a tudo, ora escavando no jardim e nas estufas, ora retocando suas vidraças, e caindo, de vez em quando, do telhado de vidro. Então se levantava calmamente e continuava a trabalhar com o mesmo prazer. Hugo era um jovem rapaz otimista, apesar dos seus setenta e três anos, e isso o tornava muito simpático.

Na semana da Páscoa, fomos surpreendidos com a notícia do falecimento do conselheiro em medicina Felix Kersten, na Alemanha. Há bem pouco tempo, visitara Felix em sua casa em Estocolmo. Ele sofria de cálculos renais, mas, indiferente às dores, participava das nossas conversas.


Andava cansado e esgotado, porém, mesmo assim, tinha de viajar para a Alemanha, onde numerosos clients esperavam com impaciência a sua chegada. É sempre a velha história do médico, que nem sequer pode ficar doente, pois lhe falta tempo para isso.

Já era tarde, e ainda falávamos dos meus contatos através da fita magnética e da ponte que se estava delineando para alcançar um plano desconhecido de existência. Felix me ofereceu o seu livro Gespräche mit Himmler (Palestras com Himmler) com uma atenciosa dedicatória.


Falamos do Sul e divagamos em torno de uma vila no Mediterrâneo, cercada de pinheiros, sebes e ciprestes. Éramos amigos há muitos anos, e eu conhecia bem sua natureza infantil e generosa, sabia o que esse homem corpulento havia realizado, no reino da morte e da aflição, com suas pequenas mãos mágicas e macias. Quem o conhecesse de perto, involuntariamente passava a querer-lhe bem.

Mais tarde, ao despedirmo-nos, nenhum de nós poderia pressentir que este seria o nosso último encontro. É estranho o que se passa com relação à morte. Lembro-me ainda de um passeio que fiz com minha ama no cemitério municipal de Odessa.


Era bem pequeno naquele tempo, mas já sentia, sem poder naturalmente expressar em palavras os meus sentimentos, a gritante contradição que havia em todos aqueles túmulos, cruzes, lousas de mármore e monumentos.


Por puro instinto sabia que o mundo em que vivíamos era, de algum modo, apenas aparência, embuste, mistificação, impertinência, um desfile de ilusões. No entanto, o céu claro irradiava luz e calor, e a vida pulsava em cada ramo de erva, em cada flor, em cada pássaro.

Quando, anos mais tarde, as agressivas ondas de horror da guerra civil inundaram Odessa, eu iria conhecer a morte sob outra perspectiva. Naquele tempo a penúria, o tifo exantemático e a cólera dominavam a cidade e diariamente viam-se muitas pessoas morrerem na rua, sem qualquer socorro.


Contudo, muito mais desolador era o aspecto das ruas quando a cidade, através de lutas sangrentas corpo-a-corpo, era "libertada" por um plenipotenciário qualquer.


Lembro-me de que certo dia fui ao necrotério municipal, onde centenas de cadáveres sangrentos eram identificados pela população. Era um lindo dia de primavera, com o céu sem nuvens. Nas ruas floresciam as acácias, que envolviam com seu perfume inebriante toda a cidade.

Mas eu me sentia angustiado, e um frio espasmo me contraía o diafragma. A contradição era demasiado violenta: aqui, vida estuante e renovação, ali, insano aniquilamento e assassinato. Apesar do medo e da aflição, não fechava os olhos diante do fenômeno da morte.


O que eu desejava era descobrir o seu segredo e perceber o sentido da grande contradição. Mais tarde, após outros encontros com a morte, foi despontando em mim uma crescente tranqüilidade, que me evocava aquela confiança que eu sentia, ainda garoto, no meu passeio pelo cemitério.


Quando minha mulher voltou com as crianças para a cidade, fiquei na cabana da floresta com Carino, o cachorro, e o gato Mitzi, com a intenção de dedicar todo o tempo disponível à minha nova missão.

O trabalho me absorvia completamente e de tal modo me arrebatava que muitas vezes me fazia esquecer até as refeições. As tarefas caseiras eram insignificantes e benfazejas, pois davam aos meus músculos um pouco de atividade.


Aliás, Mitzi, que estava comigo na cabana, nesse lugar tranqüilo onde eu costumava atirar migalhas aos melodiosos pássaros quase mansos, não me deixava sentar por muito tempo, pois tinha de observá-lo constantemente.


Nos primeiros dias, Mitzi passava horas sentado na janela da cozinha, miando e mirando com olhos ávidos a ronda dos pássaros. Resolvi então cobrir a janela com uma folha de cartolina, para livrá-lo da tentação, e ele vingou-se satisfazendo acintosamente suas necessidades na cozinha.

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FONTE DO TEXTO

http://www.transcomunicacao.com



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