Parábolas - 3


O Tolo que Era Sábio

Todos os dias o mullá Nasrudin ia esmolar na feira, e as pessoas adoravam vê-lo fazendo o papel de tolo, com o seguinte truque:
Mostravam duas moedas, uma valendo dez vezes mais que a outra. Nasrudin sempre escolhia a menor. A história correu pelo condado.

Dia após dia, grupos de homens e mulheres mostravam as duas moedas, e Nasrudin sempre ficava com a menor. Até que apareceu um senhor generoso, cansado de ver Nasrudin sendo ridicularizado daquela maneira. Chamando-o a um canto da praça, disse:
– "Sempre que lhe oferecerem duas moedas, escolha a maior. Assim terá mais dinheiro e não será considerado idiota pelos outros."

Nasrudin lhe respondeu:
– "O senhor parece ter razão, mas se eu escolher a moeda maior, as pessoas vão deixar de me oferecer dinheiro, para comprovar que sou mais idiota que elas. O senhor não sabe quanto dinheiro já ganhei, usando este truque."

E cheio de sabedoria acrescentou:
– "Não há nada de errado em se passar por tolo, se na verdade o que você está fazendo é inteligente. Às vezes é de muita sabedoria se passar por tolo e é muito melhor passar por tolo e ser inteligente do que ter inteligência e a usar fazendo tolices."


CONCLUSÃO: Os sábios não dizem o que sabem, os tolos não sabem o que dizem!


Os Melhores Conselhos

Nasrudin começou a construir uma casa : seus amigos, que tinham cada um sua própria casa, e eram carpinteiros, pedreiros, o rodearam de conselhos. Mullá estava radiante. Um após outro, e às vezes todos juntos, disseram-lhe o que fazer. Nasrudin seguia docilmente as instruções que cada um lhe dava.

Quando a construção terminou, ela não se parecia em nada com uma casa.

- "Que curioso!" - disse Nasrudin - "e contudo eu fiz exatamente aquilo que cada um de vocês me tinha dito para fazer!"


Desejos

A festa reuniu todos os discípulos de Nasrudin. Comeram e beberam durante muitas horas, sempre a conversar sobre a origem das estrelas e dos propósitos da vida.

Quando já era quase de madrugada, preparavam-se todos para voltar para as suas casas.

Restava um belo prato de doces sobre a mesa. Nasrudin obrigou os seus discípulos a comê-lo.

Um deles, porém, recusou:

– "O mestre está nos testando. Quer ver se conseguimos controlar os nossos desejos."

– E Nasrudin comentou: - "Você está enganado. A melhor maneira de dominar um desejo é vê-lo satisfeito. Prefiro que vocês fiquem com o doce no estômago do que no pensamento, que deve ser usado para coisas mais nobres."


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