Parábolas - 5


O Barco e o Homem Culto

Em certa ocasião, Nasrudin estava em um barco com um homem culto, quando o mullá disse algo que contrariava as regras gramaticais:

- "Você nunca estudou gramática?" - perguntou o estudioso.

- "Não, nunca" - respondeu Nasrudin.

- "Nesse caso, metade de sua vida se perdeu", retrucou o outro.

Nasrudin ficou em silêncio durante algum tempo, quando finalmente falou:

- "Você nunca aprendeu a nadar?" - indagou o mullá ao homem erudito.

- "Não, nunca" - este lhe respondeu.

- "Então, neste caso, toda a sua vida se perdeu. Estamos afundando."


Como Sentir a Felicidade

Nasrudin encontrou um homem desconsolado sentado à beira do caminho e perguntou-lhe os motivos de tanta aflição.

- "Não há nada na vida que interesse, irmão", disse o homem.

- "Tenho dinheiro suficiente para não precisar trabalhar e estou nesta viagem só para procurar algo mais interessante do que a vida que levo em casa.

- 'Até agora, eu nada encontrei."

Sem mais palavra, Nasrudin arrancou-lhe a mochila e fugiu com ela estrada abaixo, correndo feito uma lebre. Como conhecia a região, foi capaz de tomar uma boa distância.

A estrada fazia uma curva e Nasrudin foi cortando o caminho por vários atalhos, até que retornou à mesma estrada, muito à frente do homem que havia roubado. Colocou a mochila bem ao lado da estrada e escondeu-se à espera da sua vítima.

Logo apareceu o miserável viajante, caminhando pela estrada tortuosa, mais infeliz do que nunca, pela perda da mochila. Assim que viu sua propriedade bem ali, ao seu alcance, correu para a pegar, dando pulos de alegria.

- "Essa é uma maneira de se produzir felicidade" - disse Nasrudin.


A Casa dos Mil Espelhos

Tempos atrás, numa distante e pequena vila, existia um local conhecido como "A Casa dos Mil Espelhos".

Certo dia, um pequeno e feliz cãozinho soube desse lugar e resolveu conhecê-lo.

Quando lá chegou, saltitou feliz, escada acima, até a entrada da casa. Olhou através da porta de entrada, com suas orelhinhas bem levantadas e abanando a sua cauda, tão rapidamente quanto podia.

Ficou bastante surpreso, ao avistar outros mil pequenos e felizes cãezinhos, todos a abanarem rapidamente as suas caudas, do mesmo jeito que ele.

Nesse instante ele abriu um imenso sorriso e foi retribuído com mil sorrisos enormes. Quando saiu da casa pensou: - "Que lugar maravilhoso! Voltarei sempre que puder".

Na mesma vila havia outro cãozinho, não tão feliz quanto o primeiro, e ele também se decidiu a visitar a casa.

Chegando ali, subiu bem devagar as escadas e espreitou através da porta.

Quando viu mil cães olhando-o fixamente, rosnou e mostrou os dentes a eles. Assombrou-se ao ver todos aqueles cães a lhe rosnarem de volta, e sentiu medo.

Saiu em disparada e concluiu: - "Que lugar horrível, nunca mais quero voltar aqui!"


CONCLUSÃO: Todos os rostos no mundo são espelhos.


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