O Tao do Ocidente: 20


Palavras de Sabedoria:
29 (fim) a 32 (início).


29 - "À força do masculino deve-se unir a flexibilidade do feminino, pois aí está a harmonia do Tao."
O fato de que o Tao age em nossos corpos e mentes, e que sua atuação é percebida nas coisas que nos cercam, faz com que algumas pessoas tenham a ideia de que se escolheu um nome mágico, para explicar o óbvio - se você se exercita na serenidade, a sua pacificação interna vem como resultado lógico, numa espécie de causa e efeito. O Tao não seria então mais do que uma bengala psicológica. Só que não é isto. O Tao é uma Ordem, uma origem e um fim, mas principalmente, é o conceito equilibrador de tudo que existiu, existe e existirá. É um conceito disperso e atuante em todos os lugares, em todos os tempos e em todas as dimensões. Creio que se o Tao fosse algo tão evidente e limitado, não teriam sido escritas obras do porte do Tao-Te-Ching, nem teriam sido erigidas ciências e terapias respeitadas e que se baseiam unicamente em suas virtudes. No dia em que tivermos nos exercitado o suficiente no Tai-Chi, de forma a visualizarmos imediatamente os componentes de uma questão qualquer, estaremos a um passo de realizações mágicas e certamente de uma grande sabedoria.

30- "Há os que estão acima e os que estão abaixo, e a situação nunca será a mesma."
Uma das cartas do Tarô, chama-se a Roda da Fortuna. Ela mostra uma roda de madeira presa a um eixo e a uma manivela. Seu movimento circular, faz com que as figuras que nela se encontram presas, ora fiquem em baixo, ora em cima. O significado não pode ser mais claro - as situações, quaisquer que sejam, não são fixas e imutáveis. Nos alerta para a conscientização da modéstia e abandono da vaidade e arrogância. As pessoas que se aprofundam no estudo do Tao, vão percebendo paulatinamente, que estes sentimentos egoístas, são tão pequenos e tolos, que passam a não ter o menor sentido. Como é possível uma pessoa inteligente ser cheia de orgulho? Isto parece tão absurdo, e no entanto acontece com grande frequência.

Existem duas coisas que devemos considerar: viver no mundo e viver para o mundo, ou então, viver do trabalho e viver para o trabalho. Se vivemos no mundo, o trabalho tem um significado plausível. Se no entanto, vivemos para o mundo, com todos nossos sentidos e energias voltados para ele, o trabalho levado às últimas consequências, é tão ilusório e insensato quanto a vida que se leva, que de nada difere da morte.

31- "O Tao é implacável com a guerra."
Por que acontecem as guerras? Do ponto de vista mundano, as guerras são resultado, em geral, de problemas econômicos e com menor frequência de outros. De um ponto de vista mais abrangente, a guerra reflete uma desarmonia, que pode ter iniciado com uma pessoa ou um grupo delas e se ter estendido a outras pessoas ou grupos.

Sempre são pessoas - não há guerra de robôs. Num clima destes, existe uma situação de profundo desequilíbrio, que necessitaria de um colossal esforço de todos e de cada um, no sentido do retorno ao harmônico. O que sucede, evidentemente, é que as pessoas estão de tal forma tomadas pelas paixões, que mesmo que fossem treinadas dentro desta linha de pensamento, não encontrariam as condições ou a motivação para uma ação rearmonizante, que é a solução. Por que o Tao é implacável com a guerra? Ele não é apenas implacável com a guerra, mas com todos os conflitos e situações onde falta a serenidade e espírito de pacificação. Numa situação de divórcio, numa pendência entre superior e subordinado e coisas assim.

A ideia de implacabilidade, não quer dizer que o Tao é mau com os maus e bom com os bons. O Tao não faz o jogo dos homens, nem dos astros – sua ação é a de manter as coisas funcionando. É portanto implacável no sentido de aplicação sistemática da Lei da Harmonia global. A este propósito ouvi na TV uma pessoa ligada aos movimentos ecológicos dizer que a destruição de florestas e de camadas atmosféricas, pode significar que estamos passando por uma situação irreversível, onde o mundo estaria em reajustamento e o homem certamente iria sofrer com isto, quem sabe, terminando seus dias na Terra. Nasceria então uma nova situação onde os participantes e seus papéis seriam outros. Há um certo sentido nestas palavras, porém o desfecho não seria necessariamente este. Se uma nova chance é dada aos homens eles sobreviverão e muito bem. Não cabe ao Tao orientar ninguém - os princípios são muito claros. Nós, em cada situação conflitante, devemos manter o desejo de pacificação consciente. Este é o único pré-requisito para a ação do Tao.

32- "Quem tem consciência de sua limitação não corre perigo."
Há uma diferença fundamental entre saber algo e ter consciência desse algo. Isto é muito importante na medida em que durante o processo de crescimento, estaremos quase todo o tempo, lidando com o estar efetivamente consciente. A propósito de nossas limitações, o assunto já foi abordado amplamente. A nossa questão agora é - até que ponto temos consciência real desta limitação. Quando eu pergunto se você entende de matemática, você pode me responder que sim ou que não, dependendo entre outras coisas, do tipo de treinamento que você teve. A matemática envolve desde os rudimentos da aritmética até complicados problemas de matemática teórica. Assim, a sua resposta vai depender de seu conhecimento, de sua honestidade e de seu conceito de honestidade.


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Fonte do Texto

O Tao do Ocidente.
Direitos reservados © 2000.
P. G. Romano.
pgromano@hotmail.com
Agradeço a esse autor por permitir que esta edificante obra seja aqui veiculada, para o bem de todos.


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