O Tao do Ocidente - 3


O Tao Está acima e além da Compreensão Humana Comum

Se você nunca ouviu falar no Tao, e está tomando conhecimento dele agora, é conveniente que não procure um dicionário mas, pacientemente, siga a Leitura deste capítulo, pois, no momento adequado tudo ficará esclarecido, assim esperamos...

Temos que ser cautelosos, pois para nós ocidentais, há necessidade de uma abordagem muito peculiar, caso contrário, o entendimento acaba sofrendo deformações que prejudicarão a série de excelentes práticas que podemos fazer baseados no Tao.

O verso 1 do Tao-Te-Ching diz:
"Aquilo que pode ser definido, não é o Tao".
O que isto significa? Significa que o Tao, está acima e além da compreensão humana comum. A linguagem não possui palavras nem símbolos que o definam. É mais ou menos como acontece com Deus. Podemos por acaso, responder a pergunta - O que é Deus? - Não obstante, há muitas respostas que tentamos e que fazem sentido para nós. Isto não significa entretanto que a resposta esteja correta. Dizer que Deus é uma certa entidade que criou o Universo, é muito vago. O que é uma - certa entidade -, o que é - Universo ?

No Antigo Testamento, está escrito:
"Deus é Aquele que é".
É o que? Talvez, quem sabe, não seja para saber mesmo... As eternas especulações só têm uma certeza: que nos levarão ao infinito, ou seja, a lugar algum. A mesma linha de pensamento se dá em relação ao micro e ao macro. Qual a menor partícula? Onde fica o fim do mundo? Cada vez que se encontra a menor partícula que existe, logo adiante encontra-se outra menor ainda. O mesmo se dá no macro: uma galáxia, depois outra mais longínqua...E isto não terminou. E parece que nunca vai terminar. Com o Tao ocorre o mesmo. Não há como definir, porque sua definição, por mais elaborada que seja, será sempre incompleta e em consequência incorreta. Será que o que deixou de serdefinido, não é fundamental para sua compreensão? Provavelmente é.

Voltemos ao Tao-Te-Ching - encontramos em outra parte: "O Tao não tem extensão, no entanto está em todas as partes". Como compreender este paradoxo? Conterá alguma verdade esta estranha afirmação? Sim, contém. É tão verdade quanto um mais um é igual a dois. É verdade, porque esta é a verdade axiomática do Tao. Não há nada o que provar.

Isto me lembra as horas de sono perdidas por sonhadores de todo o mundo, em todos os tempos; aqueles que até hoje tentam provar racionalmente que Deus existe. Creio que é mais fácil listar os atributos divinos ou a origem dos números primos, do que procurar a resposta a este tolo e ocioso problema. Se você acredita em Deus, então ele existe. Uma simples gota d'água serve como prova. Se você não acredita, nem toda a fantástica energia irradiada no Universo conseguiria mudar sua opinião.

E o Tao? Se não pudermos defini-lo ou estabelecer seus atributos, o que podemos então fazer? O que podemos fazer, é exatamente definir e atribuir. Paradoxal outra vez? Nem tanto. Para os ocidentais é fundamental. Tudo precisa ser devidamente definido e explicado. Esta é nossa mentalidade, nossa maneira de ver as coisas. Estamos acostumados a muitos séculos de pensamento racional e lógico. Assim, enquanto não definirmos o Tao, ele não existe. É mais ou menos como o ornitorrinco, um pequeno animal australiano que tem bico de pato, põe ovos e é mamífero. Enquanto você não vê uma fotografia, não segura o bichinho, simplesmente ele não existe. A mente se recusa a acreditar em tal aberração. No entanto o animal está lá, à sua disposição. Enquanto não obtivermos uma prova cabal da existência do ornitorrinco, ele simplesmente não existe. Continuará sendo um mito.


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Fonte do Texto

O Tao do Ocidente.
Direitos reservados © 2000.
P. G. Romano.
pgromano@hotmail.com
Agradeço a esse autor por permitir que esta edificante obra seja aqui veiculada, para o bem de todos.


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