O Tao do Ocidente: 30


Caminho de um viajante:
9 a 15.


9 - Erudição e sabedoria

Erudição não é sabedoria - Estas palavras do Tao-Te-Ching me tocaram, porque andava imerso na leitura de muitos livros que tratavam de assuntos orientalistas. Num certo momento, percebi que estava perdido no meio de tantos conceitos obscuros e conflitantes, e decidi disciplinar a Leitura. Agora os livros passavam por uma cautelosa seleção. Na dúvida, não lia.

10 - De coisas em excesso

Um dia fiquei muito indeciso ao escolher uma roupa. Uma simples camisa me tirou do sério. Achei aquela situação tão estúpida, que parei um instante para pensar naquele absurdo todo. E se ao invés de 15 ou 20 camisas, eu tivesse 6? Faria uma diferença tão grande? E olhei os sapatos, cintos, objetos e aparelhos. De repente, me dei conta de que alguma coisa estava muito errada. Tinha receio de decidir intempestivamente. Acho que fiz muito bem em não precipitar as coisas. Tempos depois, a solução veio com muito mais consciência.

11 - Renascimento da alegria

Mesmo entediado, compareci um dia ao aniversário de uma querida amiga. As pessoas eram interessantes e simpáticas. Eu sempre gostei de música e de conversar. No entanto nos últimos anos, eu havia me colocado dentro de uma carapaça fechada ao social. Achava tudo muito sem graça, chato e sem sentido. O problema, claro, não eram os outros, mas eu mesmo. Pois naquele dia mesmo, resgatei a alegria das coisas simples - depois de tanto tempo, cantei, toquei e me senti muito feliz.

12 - Exercitando a paciência I

Com dois meses de trabalho no Tao, ainda saía do sério com certa frequência. Eu havia feito uma espécie de lista daquilo que considerava meus maiores defeitos. Fui muito exigente na listagem. Acreditava, e acredito que não devemos mentir aos outros e muito menos a nós próprios. Ali estavam relacionados a vaidade, o orgulho, a impaciência, a intolerância... Bem, eu tinha que começar com alguma coisa. Senti que a paciência deveria abrir as portas para uma vida mais suave e civilizada. A partir deste dia iniciei meus exercícios, que por sinal não eram nada fáceis. Basicamente eu evitava discutir e procurava me afastar das coisas e pessoas que me causavam desconforto. Hoje, sei que estou muito melhor, mas me mantenho alerta para não escorregar.

13 - Nasce um amor

Eu mesmo não acreditava, mas o fato é que um dia comecei a sair com C... Dizia Jung, que as coisas só acontecem quando estão prontas para acontecer. Creio que o fato a destacar, é que com todos aqueles problemas emocionais que vinha tendo, eu estava decidido a construir uma vida nova. Me segurei no Tao, e em menos de 3 meses, me sentia novamente em condições de amar. E isto foi uma grande vitória.

14 - Evitar os injustos

O ambiente no trabalho era muito ruim. As mesquinharias eram muitas e a injustiça andava solta. Eu tinha uma grande vontade de deixar tudo e partir para outra. As condições gerais, no entanto, não aconselhavam que eu fizesse isso naquele momento. Analisei profundamente a situação e o que eu deveria fazer. Reli o Tao-Te-Ching com a intenção de encontrar uma solução. E ele me indicava que as decisões tomadas em clima negativo são as piores. Que eu deveria alcançar um estado de mínima serenidade, antes de decidir o que fazer. Procurei me tranquilizar e não muito depois, conseguia manter um relacionamento muito mais eficiente e produtivo com aquelas mesmas pessoas. Como não podia me afastar de todo, procurei manter o mínimo de contato com elas.

15 - Crescimento da autoconfiança

Agora eu já começava a colher frutos mais consistentes de minha batalha. Enfrentar meu dia-a-dia tornara-se mais fácil. E com muito mais segurança. Comecei a questionar certas idiossincrasias - maneiras de ser e pensar. Não por ninguém, mas por mim mesmo. Algumas atitudes foram aplainadas, outras eu as abandonei definitivamente. De fato, ao me decidir colocar em ação os valores do Tao, e sentindo-me consciente e integrado nesta nova prática, fiquei satisfeito com meu esforço que, afinal, estava dando resultados palpáveis.


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Fonte do Texto

O Tao do Ocidente.
Direitos reservados © 2000.
P. G. Romano.
pgromano@hotmail.com
Agradeço a esse autor por permitir que esta edificante obra seja aqui veiculada, para o bem de todos.


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