O Tao do Ocidente: 36


Caminho de um viajante:
47 a 53.


47 - Renasce o gosto pelas coisas simples

Aos poucos, eu começava a mudar meus hábitos. Na agitação do dia-a-dia, eu procurava encontrar, lá mesmo, algo que tivesse um contexto mais suave. Andar no centro de da cidade e encontrar uma velha rua calçada de pedras, escondida no meio de prédios massacrantes, é um achado que se deve aproveitar. Quem mora em cidade grande, sabe do que estou falando. E meu trajeto diário mudou. E eu comecei a buscar o olho do furacão, aquele lugar mágico no meio da agitação. Fui achando outros lugares amenos e, como no caso da barca, aproveitando a sua generosa tranquilidade.

48 - Retomando o crescimento

Não era bem um chamado, nem dependência. O Tao, é um estilo de vida. E como é muito pouco exigente e assim mesmo o que ele exige, é que você seja feliz, pareceu-me um contrassenso não receber presente de tal valor. Disse uma vez um homem piedoso, que Deus não vê com simpatia a recusa de um presente dado de coração. Mostra que a pessoa ainda é muito orgulhosa. Francamente não sei se ele estava certo ou não. O fato é que meu coração e minha mente pediam que eu retomasse a trilha. E assim eu fiz.

49 - Autocontrole: II

A sabedoria chinesa, recomenda moderação em tudo, e alerta para o cuidado que devemos ter com a boca – por ela entram os alimentos e saem as palavras. Quanta verdade em um só conselho! Acautelar-se com o que se come, é vital para a saúde do corpo. Nunca lamente que tenha comido pouco, dizem ainda. Quanto às palavras, bem, experimente trocar comer por falar, e corpo por mente. Você está do lado da sábia parcimônia ou do tolo abuso? Reflita sobre isto. Eu próprio me perguntei e assumi um compromisso comigo mesmo. Não está sendo fácil, mas eu chego lá.

50 - Sobre minimalização: III

Finalmente me decidi a reduzir drasticamente minhas coisas. Eu gostaria de assinalar mais uma vez, que a minimalização, não é um simples processo de jogar fora o que está sobrando. Seria uma atitude infantil e de nenhum valor. Minimalizar é tornar mínimas as necessidades materiais para a nossa vida, com profundos reflexos em nosso processo de equilíbrio e crescimento. É portanto fundamental que a decisão seja racional, até mesmo porque os objetos estão ligados à razão mundana - TER, e não à intuição espiritual - SER.

51 - Usando a moderação

Minha vida toda foi sempre marcada pelo meu jeito impulsivo de agir. Não importava a natureza do fato. Podia ser alguma que necessitasse um pouco mais de cautela, para que o resultado fosse adequado. Eu normalmente não dava a menor importância à minha maneira de agir. A colocação invariavelmente era: de que lado estava a verdade? Evidentemente estava do MEU lado - sempre... Aí eu discutia, me irritava e acabava por perder a razãoque eventualmente tivesse. No dia em que fiz esta anotação, eu havia tomado a respeito de certo problema, uma posição de tal sorte tranquila, que eu mesmo me surpreendi. É desnecessário dizer, que a pendência me foi favorável.

52 - Coisas simples

Há pouco, falei no encontro de lugares que lembravam uma infância feliz; falei de ruas antigas e velhas barcas. Agora eu me refiro à uma banheira das que quase não se vêm mais. Eu estava viajando a trabalho, e me hospedei em um hotel que ficava no meio de um fantástico verde. O ar era puríssimo, os pássaros cantavam e tudo parecia um sonho. Ao me meter nas águas mornas da banheira, e repousando a cabeça em um monte de toalhas, fechei os olhos por um momento. Senti-me invadido por uma forte sensação de Harmonia e serena tranquilidade. Ali mesmo, naquele instante, eu me sentia integrado no Cosmos em equilíbrio.

53 - A vida chinesa

Um sábado, sem muito o que fazer, passei num desses clubes de vídeo, e vi uma fita com um filme que focalizava usos e costumes na China de hoje. Confesso que fiquei encantado. Cada cena me transportava para aquele mundo mágico onde se desenvolveu a ideia do Tao. Na cena onde apareciam centenas de operários, fazendo o Tai-Chi-Chuan antes de se entregarem aos afazeres diários, foi que se consolidou em minha mente, que viver bem é viver para o bem. É construir a vida em cima de valores éticos permanentes - para a mente, e moderação - para o corpo.


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Fonte do Texto

O Tao do Ocidente.
Direitos reservados © 2000.
P. G. Romano.
pgromano@hotmail.com
Agradeço a esse autor por permitir que esta edificante obra seja aqui veiculada, para o bem de todos.


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