O Tao do Ocidente: 43


O I-Ching


Pode-se tentar um e outro nome, nesta ou naquela posição (Yin/Yang), pois não há nada definitivo, senão o encontro de um par que forme uma unidade harmônica. Quando a essa escolha se torna extremamente difícil, uma das armas mais poderosas postas à disposição do analista é o I-Ching, antigo oráculo chinês, conhecido por milhões de pessoas.

Vale dizer aqui, no entanto, que o I-Ching pode ser utilizado como oráculo, sem dúvida, mas a sua constituição básica envolve Filosofia, Teologia, Ética e Política. Em resumo, o I-Ching é constituído de 64 capítulos, cada um dos quais estuda um hexagrama, desenho composto de dois conjuntos de 3 linhas chamadas trigramas, que são postos em Ordem ascendente. Estas 6 linhas serão ou do tipo Yin, representado por uma linha dividida em 2, ou do tipo Yang, sólida. A cada um dos 64 hexagramas, seguem-se comentários relativos ao conjunto e à interpretação de cada uma das posições.

Na utilização popular e mais comum, a oracular, é suficiente o sorteio de moedas ou varetas e a Leitura do respectivo hexagrama e dos comentários que se seguem. Estes costumam oferecer uma boa sugestão do que podemos fazer na situação para a qual o I-Ching foi consultado. Um uso mais nobre do I-Ching, a definição dos pares complementares e harmônicos do Tao-Chi, é uma tarefa nada fácil, mas surpreendentemente correta. Dizem, os sábios chineses, que a Unidade dá origem à dualidade Yin/Yang, que por uniões sucessivas, derivam nas "dez mil coisas", ou seja, em tudo que existe no Universo; é bastante natural, portanto, que da análise dos dois trigramas considerados complementares harmônicos, consigam-se obter respostas para o par procurado.

O estudo do I-Ching, pode durar uma vida toda e às vezes não se consegue chegar aonde se deseja. A propósito, Confúcio, que era um sábio, afirmou que se tivesse outra vida a dedicaria exclusivamente ao estudo do I-Ching. Em nosso lado ocidental e em tempos mais recentes, o eminente psiquiatra suiço Carl Gustav Jung, grande humanista e profundo estudioso do livro, se posicionou inequivocamente favorável ao I-Ching, quando declarou: "para aqueles que buscam o autoconhecimento e a sabedoria, esta é a Leitura mais indicada." O comentário que podemos fazer do I-Ching não deve ultrapassar o que foi dito.

Um aprofundamento maior, é questão de foro íntimo, que envolverá um profundo desejo aliado a uma enorme dedicação. É quase certa a necessidade de um mestre orientador, quando o patamar que se deseja alcançar, esteja suficientemente acima de nossa capacidade. O Tao nos alertou sobre os limites que cada um tem. São limites inferiores e superiores. Algumas pessoas têm poder de abstração, outras de se expressar ou de entender o que foi expresso, e a maioria fica numa espécie de limbo. Tanto no estudo do I-Ching como do Tai-Chi e do Tao, é preciso que estes limites sejam conhecidos e respeitados, de forma a não nos causar frustrações, e afinal acabarmos por nos impor uma lastimável desistência.

Sábios lamas tibetanos, asseguram que quando você se sentir pouco à vontade para prosseguir estes estudos valerá muito mais que leve uma vida virtuosa, o que do mesmo modo lhe dará as condições de ter uma vida igualmente harmoniosa, feliz e produtiva. Afinal, virtude é Tao.


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Fonte do Texto

O Tao do Ocidente.
Direitos reservados © 2000.
P. G. Romano.
pgromano@hotmail.com
Agradeço a esse autor por permitir que esta edificante obra seja aqui veiculada, para o bem de todos.


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