O Tao do Ocidente - 7


O Tao é Harmonizante

Um dos atributos mais notáveis do Tao, é sua ação reequilibradora ou harmonizante. Para melhor visualizar a ação do Tao e fortalecer seu permanente entendimento, o uso do Tai-Chi é insuperável.

Vejamos como o Tai-Chi é constituído: tem a forma de um círculo e é dividido em duas partes; uma parte branca, e uma preta. Este desenho, simboliza uma situação harmônica, onde o fato ali mostrado, está em perfeito equilíbrio. Qualquer aumento, num dos lados, resultará em um estado desarmônico, problemático. Em compensação, nos apontará a solução, que estará sempre no outro lado.

Se você usa o Tai-Chi em forma de medalha pendurada no pescoço, sem saber muito bem o que significa, ficará muito mais feliz quando passar a entendê-lo melhor e, quem sabe, guiar sua vida pelas idéias que ele simboliza. A propósito, o Tai-Chi não é um amuleto, nem é mágico nem deve ser usado como se o fosse. Ele é simplesmente um lembrete, tal como uma Cruz ou uma Estrela de Davi, que não devem ser confundidas como peças milagrosas.

Observemos com mais atenção ainda o Tai-Chi. Inicialmente o círculo externo. O círculo em diversas religiões ou correntes de pensamento, significa unidade. De fato, o Tao tem completa independência, é totalmente autossuficiente e auto-regulado. É portanto a própria Unidade. Em seguida nota-se que o círculo está dividido em duas partes iguais chamadas Yang e Yin, representando respectivamente o ativo e o receptivo, a dia e a noite, ou quaisquer outros opostos harmônicos ou complementares, dos quais se compõe uma determinada questão. Cada uma destas partes possui um pequeno círculo da cor oposta. Na parte branca há um ponto preto e vice-versa.

Estes pontos representam a semente de seu complemento. Se no Tai-Chi, o branco está representando por exemplo, uma situação de paz, o preto estará significando a guerra. A semente da guerra, está sempre plantada numa situação de paz, da mesma forma como uma situação de guerra apresenta sempre a possibilidade de paz - uma só pode acontecer quando existe a outra. As duas partes juntas, se unem formando a questão guerra /paz. De fato, quando pode ocorrer isto que chamamos de paz? Quando existe uma guerra. Por seu turno o que pode quebrar a paz? Uma guerra. Os dois elementos estão, assim, ligados, amarrados.

Um problema do tipo saúde/doença, se apresenta de maneira semelhante. Com efeito, a doença parte de uma situação de saúde. Ninguém fica doente estando doente, e sim quando se está sadio. A cura para qualquer doença está igualmente inserida na própria doença - quem se cura de algo que não possui? É preciso primeiro, que se esteja doente para ser curado.

Existe uma infinidade de situações que o Tai-Chi pode espelhar: claro/escuro, bondade/maldade, serenidade/agitação, integridade/destruição. Numa situação conflitante, há predominância de um lado sobre o outro. A ação corretiva do Tao, devolve a proporcionalidade às partes expressas no Tai-Chi. Onde e quando o Tao vai buscar a melhor solução, permanecerá sempre um grande mistério.

A resposta a uma pendência, pode estar num medicamento, numa pessoa, em alguma forma de energia, que por sua vez pode estar localizada no passado, no presente ou no futuro. Esta é a magia do Tao. Diriam os chineses, que há dez mil maneiras de se recorrer a esta mágica; todas elas no entanto, pedem um mínimo de serenidade daquele que pretende receber este benefício.

O Tao necessita de um espaço vazio e tranquilo para prover sua atuação reequilibrante. Esta serenidade física e mental pode ser alcançada mediante exercícios, posturas ou simplesmente pela disposição de espírito. É preciso, efetivamente, desejar a cura para ser curado. Entre essas disposições de espírito mais adequadas ao entendimento ocidental, existe uma chamada wu-wei ou não-fazer, que nada mais é do que deixar a mente momentaneamente vazia e livre das preocupações, e fisicamente não fazer nada, absolutamente nada.

Este não-fazer, não é uma atitude de alienação, é antes de tudo uma postura propositadamente receptiva. O fato de possuirmos inteligência e racionalidade, sem dúvida alguma dificulta assumir esta disposição, o mesmo não ocorrendo com os animais, que mais facilmente atingem um estado de quietude. Alguns de nós, já participou ou assistiu uns exercícios, às vezes chamados de antiginástica, e que leva o nome de Tai-Chi-Chuan. Na verdade não se trata propriamente de exercício e muito menos de qualquer tipo de ginástica como a entendemos. O Tai-Chi-Chuan é constituído de movimentos normalmente muito suaves, elegantes e moderados que têm como objetivo, harmonizar as funções do corpo e da mente, isto é, fazer com que possamos atingir um consciente estado de serena tranquilidade.


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Fonte do Texto

O Tao do Ocidente.
Direitos reservados © 2000.
P. G. Romano.
pgromano@hotmail.com
Agradeço a esse autor por permitir que esta edificante obra seja aqui veiculada, para o bem de todos.


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