O Tao do Ocidente - 9


O Conceito do Tao
(continuação)

É assim, trabalhando com seriedade e lisura, que as coisas poderão mudar. Não é porque alguém disse que viajou em um disco voador que devemos acreditar. Fisicamente, eu vou pedir provas sensíveis. Metafisicamente eu vou, quem sabe, parabenizar o felizardo. O pressuposto de que todos só dizem a verdade, é muito, muito discutível...

Chamemos a ciência que conhecemos, de ciência lógica e todas as que não se submetem ao seu crivo, de ciência paralógica. Isto não se pode impedir; é um nome como outro qualquer. A aceitação deste tipo de ciência, obrigará a criação de critérios próprios, evitando a proliferação de espertalhões; já nos bastam aqueles que os furos da ciência tradicional proporcionam.

Neste livro, estamos falando do Tao. O Tao não tem uma estrutura, nem atributos que possam ser medidos por nenhum instrumento conhecido. No entanto, seus efeitos são sentidos todos os dias, a cada momento, em milhares de pessoas pelo mundo afora. Fatos comuns como encontrar a melhor solução para uma questão financeira, são obtidos através de certas características do Tao. Curar uma simples dor de cabeça, é conseguido com grande facilidade por qualquer pessoa que conheça um mínimo da ação do Tao. Quando um chinês pratica conscientemente seu Tai-Chi-Chuan diário, ele sabe que vai se aperfeiçoar em seu todo.

Os médicos acupunturistas estão utilizando a todo instante as virtudes do Tao. Os adivinhos que desenvolvem seu trabalho nas ruas chinesas, fazem suas previsões baseadas no I-Ching, que é puro Tao. Na verdade, o Universo todo está tomado pelo Tao; de um buraco negro a uma imensa galáxia, do virus a um animal, de um animal ao homem. O assunto é por demais sério para ser julgado, seja pelas regras dos cientistas, seja por vagos critérios metafísicos ou parapsicológicos.

Muita gente prefere em assuntos como este do Tao, ficar com suas próprias idéias. Não é fundamental que as pessoas aceitem ou não sua exposição. O mais importante, é que ao expô-la, sempre haverá alguém que se beneficiará com ela. Neste momento, por coerência, estaremos considerando o assunto Tao, como pertencente à classe da ciência paralógica. Até segunda ordem...


Palavras de Sabedoria:
1 e 2

Este capítulo, é dedicado a importantes citações contidas no Tao-Te-Ching, seguidas de um comentário. As palavras de Lao-Tsé, se referem a diversos assuntos de nossa vida diária, tais como valores éticos, trabalho, relacionamento interpessoal, assim como esclarecimentos fundamentais sobre o Tao, seus atributos e a maneira como devemos agir de forma a obter seus benefícios. Seja qual for seu objetivo ao ler este livro, será uma aventura fascinante penetrar no pensamento oriental, e ver o que eles pensam e sentem, além de nos preparar a trilha, se assim o desejarmos, que certamente nos levará a uma vida mais rica e harmoniosa.

1 - "O caminho que se pode seguir não leva ao Tao."
O que o autor pretende dizer, é que normalmente as pessoas que buscam o aperfeiçoamento pessoal, se utilizam de livros e orientadores que estão de tal forma ligados às coisas do mundo, que se esquecem de que para viver no Tao isto é inútil, pois o verdadeiro caminho passa muito mais pela intuição do que pela razão.

2 - "Para estarmos no Tao, devemos suprimir os nossos desejos."
Esta é uma clássica afirmação oriental. E faz muito sentido. Passamos a vida desejando coisas e almejando o beneplácito do outros em relação a nós. Desejamos objetos e bens materiais. Enfim, somos um poço de desejos. Como existem milhões de pessoas, é perfeitamente natural que muitas desejem a mesma coisa. A possibilidade que venhamos a conseguir exatamente o que queremos, é portanto bastante remota.

Quando finalmenteconseguimos o que queríamos, ficamos frustrados, porque o nosso desejo - não era bem esse. E aí nascem três coisas: uma frustração, um novo desejo, e um sentimento negativo em relação a alguma pessoa. Todas essas coisas, ensina a psicologia, à medida que se acumulam, acabam gerando tensão e angústia. Da mesma forma, desejos mal satisfeitos, podem nos deixar nas mãos uma porção de coisas que depois de algum tempo não fazemmais sentido. E aí, você se vê na contingência de optar por outras delas. Sua vida passa a ser gerida pelas coisas e não mais por você. Parece então prudente que nos reeduquemos, de tal forma que nossos desejos sejam voltados à efetiva necessidade. Menos desejos, menor possibilidade de sofrimento.


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Fonte do Texto

O Tao do Ocidente.
Direitos reservados © 2000.
P. G. Romano.
pgromano@hotmail.com
Agradeço a esse autor por permitir que esta edificante obra seja aqui veiculada, para o bem de todos.


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